terça-feira, 22 de maio de 2012

       Você é a primeira em muitas que eu não quero só comer. Eu não quero, apenas, passar as madrugadas sussurrando em seu ouvido ternuras, e ouvindo perversões sem sentido. Quero saber o sabor da pizza preferida, ver você bebendo água e perceber o som que faz o zíper da sua calça quando se abre. Quero sentir o seu perfume menos querido, e notar o primeiro olhar de desagrado às injustiças dos homens, e por amor, tentar justificar que mesmo diante da maldade humana vale a pena ter um filho ou dois. Quero justificar porque é bom ter religião, e quero ver você comer maçã porque todas as moças bonitas que comem maçãs são sexys. Quero ficar em dúvida da melhor camiseta e lhe fazer sentir ciúmes por insegurança. Quero falar sobre a etmologia que justifica o seu nome, e recriar sua árvore genealógica. Quero mostrar para você a sintaxe que há no verbo, e devanear sobre a análise semântica do sintagma verbal. Quero lavar a louça na sua vez porque você fez charme.Quero a sua boca: ora falando, ora beijando ora fazendo sexo oral em mim. Quero a minha boca, ora falando, ora beijando, ora fazendo sexo oral em você. É, você é a primeira em muitas que eu não quero só comer.

segunda-feira, 21 de maio de 2012





Pai, afasta de mim esse cálice. 


                                            Pai, afasta do cálice esse mim. 

sábado, 19 de maio de 2012

Dialogo escolar.

Há lições que eu não posso ensinar...
nem te amar, nem te amar, nem te amar.

Ha lições que não se podem escrever...
te querer, te querer, te querer.

Há lições que eu não posso tratar...
nem beijar, nem beijar, nem beijar...

Há lições que se aprendem sem ciência...
paciência, paciência, paciência....

Será que você me ama?
me engana, me  engana, me engana...

Há lições  que não ensinam o que sinto...
e eu minto, e eu minto, e eu minto.

Há lições que se tornaram benditas...
tão bonita, tão bonita, tão bonita.

Você sabe e eu não posso dizer:
pra você, pra você, pra você...

Ramon.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Nessa noite fria, falta a carne tua. Nesse outono lindo: falta a carne tua. Nesse café curto. Falta a carne tua. Nesse trecho de Clarice "Felicidade?"... Falta a carne tua. Nesse banho quente, falta a carne tua. Nessa cama cheirosa: falta a carne tua.  Em minha boca, falta a carne tua. Em minhas mãos falta a carne tua. 
Crua, nua, nua, nua, nua, nua, nua, nua, nua.

quarta-feira, 9 de maio de 2012


Rondó de um fora estranho.




Você diz estar na  moda
Que eu não posso ignorar
Que eu deveria fazer festa
Para a gente namorar

Você diz ser muito linda
A mocinha mais gostosa
Que eu deveria fazer figa
E cantar-te em verso e prosa

Você põe a roupa curta
E a calça da ginástica
Diz que é muito enxuta
E que a bunda não tem plástica

Você diz que eu deveria
Tirar onda com a galera
E dizer que: a minha mina
É mais linda, é mais bela.

Você fala da Europa
E do Tiguam do papai
Fala, fala, Fala...
Até não querer mais

Ao ouvir você falando
Acho até meio engraçado
Você aí me olhando
Me querendo namorado.

Você diz ser moça fina
A mais linda da mamãe
Mas na cama é agressiva
Basta lhe pedir que arranhe!

Diz que entende de tudo
Kant, Stendhal  e Marx
Mas de noite teme  “os preto”
Que favelado é ruim demais!

Eu te acho até bonita
Eu não posso ignorar
Você com roupa curta
É difícil não olhar

Sua calça transparente
Dá pra ver seu fio dental
A negada, onde passas
Quase sempre passa mal

Entretanto, minha filha!
Como podes ser tão chata?
Quase sempre que lhe vejo
Rezo que fiques calada.

Quando olhas para mim
E me fala em namorar
Vem profunda dor no rim
E até me falta o ar.

Digo não internamente
Para não lhe magoar
Pena você servir somente
Para eu me masturbar.

Ramon C.

domingo, 6 de maio de 2012


Ducrot Linguísta, Dicró Sambista.



Academicistas,
Gramáticos, cientistas.
Bruxos, sábios, alquimistas.
Desconhecem o sabor de uma pizza?

Conquistadores
Doutores, pesquisadores,
Da ciência, uns não sei quantos senhores,
Ao final da vida terão vivido amores?

A verdade do universo
O sentido da última molécula ao avesso
Terá desse jeito grande preço?

Valor medido em cada verso:
O parnaso incoerente desconexo
Trará a este texto algum nexo?



ps: não é que eu não queria me divertir mais, eu não queria a sua companhia.