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Ai que saudade que deu,
da minha adolescência perdida.
da minha cara aturdida
do Caetano e dos Rolling Stones.
Que brigas, que desejos, que porres,
naquelas esquinas e praças
cantando as mocinhas de saias
ouvindo ramones e racionais.
Como eram estranhos os dias,
de existência confusa,
desejando os mamilos sob a blusa,
das moças boas e más.
O amor - era estranho e distante.
O dinheiro - é distante e importante
A vida - era vida e só.
Que desejo, que tesão, que aventura
comprar playboy no rateio,
se masturbar no banheiro
de qualquer lugar.
O amor era doce e perverso,
o que mais me importava era o sexo
que ainda vem me assombrar.
O dinheiro era pouco e bem-vindo.
não havia muito comigo
que eu pudesse gastar.
A vida acontecia depressa,
eu queria amar mais que vida,
e a vida queria-me mais do que amar.
Dias longos e tontos,
de céu rosado e cinzento,
com MTV e o Guns,
Que tédio , que beleza, que juventude,
nas provas de física e filosofia,
nas noites mal dormidas e nos dias,
de uma estranha paz.
dos pães, do bilhar, e da cachaça,
o Nietzsche e o Kafka que li,
e do dia que fodi.
Que desejo, que tesão que aventura,
de tudo que de algum jeito é meu
Ai que saudade que deu,
da minha adolescência perdida.
da minha cara aturdida
do Caetano e dos Rolling Stones.
Que brigas, que desejos, que porres,
naquelas esquinas e praças
cantando as mocinhas de saias
ouvindo ramones e racionais.
ramon c.
sábado, 10 de novembro de 2012
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
e então eu te comia. te comia mais que uma,ou duas vezes. eu te comia segurando firme em tuas coxas. eu te comia pondo partes suas em minha boca. eu te comia enquanto te ouvia.
eu te comia, e o verbo no futuro do pretérito me incomoda.
eu te como. eu como a ti.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
eu estou enlouquecendo. estou enlouquecendo. estoy aburrido. I'm crazyng. who is I? Quem é você? não me reconheço. não reconheço meu irmão, não reconheço a vírgula que veio antes. Quando fui velho, ontem serei Carlos. Quando fui Mulhomem, Homenlher. Não sei Opreçodopão. NãoseiSegostoDocirco. Não sei se significo, sesignifico.sessi.Cecilha.
sábado, 27 de outubro de 2012
as tais da califórnia.
ondas. ondas bonitas. dizem que na orla, dependendo da luz e do tom, vês-lhes douradas à beira. minha vista já passou em muitas, sempre, entretanto, mais olhando do que vendo. sei que olhar e ver são dois verbos muito similares, contudo, têm uma distinção enorme quando se trata do tom e da luz.
ondas bonitas que não fazem barulho, mas tem cheiro e cor. são sensíveis ao toque. e eu, enquanto as toco, sou sensível às ondas. quando, de peito, de braços e abraços, mergulho nas ondas, me invade os sentidos, inunda meu corpo, meu rosto e ativa meu sexo.
na califórnia há praias lindas.
ramon c.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
É e há! Tem, talvez.
A literatura é um corte.
A literatura é a morte.
Há literatura na morte.
Há literatura na sorte.
A literatura é a sorte.
A literatura é um corte,
A literatura é amor.
Há literatura no amor.
Há literatura na dor,
No sabor,
No calor.
A literatura é o sabor,
É o calor, por que não?
A literatura é um pão!
Há literatura num pão!
No feijão
No estirão
Que a perna dá por conta do nervo...
A literatura é o frevo.
E mais, há literatura no frevo.
A Literatura em Pernambuco.
Há literatura de Pernambuco.
Após Pernambuco.
Pós-Pernambucana.
A literatura é a cana,
E há na cana literatura,
Tem literatura na altura.
Tem literatura no chão.
Tem literatura na mão.
A literatura é um corte.
Há literatura num corte,
Que sangra
Que inflama,
Se dana...
Há literatura na inflamação.
De garganta,
Do desejo.
A literatura é um beijo.
Há literatura num beijo.
A literatura é um corte.
Um corte desses profundos.
A literatura é um corte raso.
A literatura é um vaso.
Há literatura num vaso.
A literatura é o fim.
A literatura é o começo.
A literatura é ciência.
Há literatura na ciência.
A literatura é ansiosa.
Há literatura na paciência.
A literatura é paciência.
Reticência, reticência, reticência...
sábado, 13 de outubro de 2012
mais uma sobre sexo.
sei que peguei em sua cintura e minhas mãos envolveram
teu quadril como se fossem encontrar uma à outra em tuas costas. sei também que
tua boca úmida
enchia minha boca de saliva e amor e que sua língua me pertencia mais que a
minha própria, pois estava mais dentro da minha do que da sua boca.
sei
que podíamos nos tocar livremente e que os suspiros e brincadeiras tomavam os
espaços e atraíam os curiosos olhares em nossa direção, que embora disfarçados,
inspiravam outros casais. éramos públicos. e veja, parecia só um beijo.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
um bolero nordestino, uma xícara de café e a poeira acumulada.
sabe, compadre... envelhecemos querendo ou não. pegue um cabra destes metido a ser jovem e , veja, que a pochete logo tende a denunciar o cão. nem moda, nem destino... porra nenhuma acontece nessa vida que não a certeza do fim. vêm as primeiras bronhas, as menininhas querendo dá pra você, depois... é só se fodendo, e muito, que se entende a tal história de que todo mês vem conta, vem patrão, vem. só vem. segurar com mão é que não se pode. se segura com lembrança. a lembrança é a mão mais forte que tem pra segurar coisa velha. é só na cabeça do cabra que se segura um chifre daqueles, um nome no spc, a morte de alguém. nem tente... compadre... explicar que não pelo o que eu digo e atesto: homem de mão boa é aquele que tem cabeça a maldar coisa desde o passado à data de hoje. desses é que se há de ter medo. veja só, cê nem lembra de um xingo que deu num puto, ele vem, e te pega no susto. cê nem lembra o que do de antes vem puxar teu pé em noite nevoenta. a vida é complicada... vem velho, vem moço... difícil é controlar quem é que te vem pra te pegar na esquina. toma essa café compadre, que o frio vem e gela o copo. bebe esse café que é o que te resta.
ramon c.
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