e as coisas que eu não quero, ou não posso. de muitas e amiúde.
são consideradas pouco importantes, são tratadas em desvirtude.
e de não querer e não poder, ser tanto e tanto.
fico eu sozinho, quieto, engolindo, acalmando...
ressequido o peito cheio, de louvor e pranto.
ramonc/ das coisas que eu não fui por você.
domingo, 19 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
nenhum comentário. no chão até aqui coube uns sete passos, largos e pequenos. houve vitrines que refletiu meu desejo domado, e que tinha um cabresto que olhava para um único lado. olhava pruma nota estranha de violão e uma voz afinada Quando? Quando o que menino se o quando é só um pronome, Mas e pronome não diz nada? Ocupa... Ocupa espaço. não tem sentido. O que é que você quer atrás se sentidos? Vá você atrás dos teus! Trabalhe por eles, e não exista um pronome sequer que o omita. Pronome é a omissão de um substantivo! Tava na vitrine e olhava por meio dela umas sem números de cores com tons de dó, algumas com ar de algodão-azedo-meio-ressequido pelo sol. eu não significo? tudo é sublimação... a tentativa mortal de dizer disdizendo... desfazendo. sem tecer um um rémifásoládó.
quinta-feira, 28 de março de 2013
era uma santa , vestia azul,
sempre linda. num pedestal lilás imaculado, integro, livre do pecado. era uma
santa linda.
- raimundo, deixa essa santa que
já esta limpa, diziam os padrecos que viam raimundo por horas passar as mãos na
santa para tirar-lhe o pô.
- será que quando eu morrer,
padre, essa santa me leva pros pés dela, preu ficar com ela a vida que vem depois
da vida?
- ohh, raimundo claro que leva...
pede pra ela, pede com fé. a santa atende.mas espera raimundo, espera...
raimundo esperou e esperou a
ausência da carne para ter com a santa, linda, linda, imaculada, imaculada seu
arrebatamento.
como morreu velho, transou com juliana,
patrícia, amanda, gertrudes, eulalia, açucena... mas gozou mesmo com Cora. sua
melhor transa ate hoje, na vida que vem durante a vida.
ramonc/ a melhor transa de
raimundo foi com Cora/
março-2013
sábado, 16 de março de 2013
eu não tenho mãos.
perdi as mãos pra ele.
não tenho pernas. ele
as quis.
não tenho pau. cortou
fora, deu aos cães.
não tenho boca. nem
beijou-a, jogou fora.
não tenho cabeça.
comprou de mim à banana e vendeu no mercado branco.
tenho coração, aflito,
com medo... se eu não der meu coração a ele, fico pobre, paraplégico, morto...
sofro. eu sei. disseram-me.
ramonc/ o medo que eles têm eles/
março-2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
freud disse que é
preciso ter um pai. sou um assassino de
figuras paternas. matei, ao longo dos meus curtos anos vividos, uma centena de
figuras paternas que, eu garanto, mais me atravancaram o crescimento do que
sustentaram os deslizes.
primeiro, foi o macho
fecundador. esse não matei. suicidou. foi-se. não sei dele. meu irmão, dez anos
mais velho. matei sua figura paterna metida a besta quando sua idade e a minha
não era mais ensejo para que eu, por arbitrariedade, lavasse a louça. meu padrasto.
esse foi duro, veio rígido veio imbuído de um pai maior. foi então um
genocídio. matei pais grandes, pais
pequenos, uns namorados da minha mãe. sempre me dei como filho, mas nunca fui
concebido como, daí... matava a figura opressora e sem vergonha macha que , por
pedantismo do acaso, aparecia.
matei padeiros, machões
, gays, e até mulheres. pais de amigos meus, colegas, padres, orientadores.
Freud disse: é preciso
matar a figura paterna. sou, o que poderíamos chamar , profissional.
ramonc. / o pai que se
foda./
março – 2013.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
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